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A ARTE DE ETERNIZAR MOMENTOS

     Século XVI
     No início das grandes descobertas realizadas por desbravadores europeus, o desenho teve uma importante participação na divulgação da natureza e costumes de nosso povo, como as xilogravuras realizadas sob a orientação do alemão Hans Staden, que esteve no Brasil entre 1553 e 1557, retratando com fidelidade sua passagem por terras brasileiras.

    Século XVII
    Albert Eckhout e Franz Post chegam ao Brasil em 1637, com a missão cultural holandesa, criada por João Maurício de Nassau-Siegen, com o objetivo de descrever a natureza exótica que tanto fascinava aos europeus. Eckhout e Post viajaram pelo nordeste retratando suas paisagens e seu povo.
    Frei Cristovão de Lisboa realiza entre 1625 e 1631 diversas ilustrações minuciosas sobre aves e morcegos, utilizando lápis e nanquim, que culminaram no livro "História dos animais e árvores do Maranhão".

     Século XVIII
     Em 1783 Alexandre Rodrigues Ferreira chefia a "Viagem filosófica pelas capitanias do Grão-Pará, Rio Negro, Mato Grosso e Cuiabá" a qual foi organizada em Portugal, com objetivo de estudar aquela região (durante dez anos). Foram realizadas diversas ilustrações sobre a fauna, flora e paisagens, além de suas populações, sobretudo indígenas.
     Encontramos neste trabalho ilustrações de espécies que não eram conhecidas pela ciência, como o "Anambé-preto", Cephalopterus ornatus, Geoffroy St. Hilaire, 1809, e o "Urumutum", Nothocrax urumutum, Spix, 1825.

     Século XIX
     A abertura dos portos em 1808, tornou o Brasil mais acessível aos viajantes naturalistas e artistas que vieram com grande entusiasmo para estudar e retratar nossa natureza.
     Chega em 1813 o naturalista alemão Georg H. von Langdsdorff na qualidade de Cônsul da Rússia, que alimentava um "sonho": ir a lugares onde nenhum homem branco estivera anteriormente.
     Organizou então uma expedição e viajou pelo Brasil entre 1821 e 1829 contando com eficientes pesquisadores e grandes pintores, como Johann Moritz Rugendas, Aimé-Adrien Taunay e Hercules Florence. Apesar de todas as dificuldades, estes artistas realizaram inúmeros desenhos em aquarela sobre aves, mamíferos, peixes, plantas, paisagens e índios de nosso país. Todo este acervo encontra-se hoje em São Petersburgo, na antiga União Soviética.
     Com a Missão Artística Francesa, em 1816, veio o artista Jean-Baptist Debret, que passa a retratar com fidelidade os costumes do homem brasileiro, como índios e caboclos.
     John Gould (1804-1881), artista inglês de grande capacidade criativa, publica diversas iconografias sobre as aves de vários continentes. Sobre as aves do Brasil, realizou monografias sobre beija-flores (1849-1861), e sobre tucanos (1854) com belas ilustrações destas espécies. O mais curioso, é que Gould nunca esteve no Brasil, realizando todos os trabalhos na Europa.
     Pintor e pesquisador, João Teodoro Descourtilz que esteve na região sudeste desde 1829, foi naturalista viajante do Museu Nacional entre, 1854 a 1855 e deixou uma importante coleção de pranchas ilustradas magistralmente.
     Emil A. Goeldi em 1894 assumiu o cargo de diretor do "Museu Paraense de História Natural e Etnografia", hoje conhecido como "Museu Paraense Emilio Goeldi", contratando o excelente pintor e profundo conhecedor do ambiente amazônico, Ernst Lohse que ilustrou o livro "Álbum de Aves Amazônicas" (1900 a 1906), com sublimes pranchas. Lohse foi morto em 1930 por revolucionários na porta do museu.

     Século XX
     Neste Século, temos Maria Werneck que foi uma das primeiras brasileiras a se dedicar, como profissional, à arte de retratar as plantas deste país.
     A inglesa Margaret Ursula Mee (1909-1988) realizou diversas expedições pela Amazônia e também pelo sudeste do Brasil, ilustrando com extrema beleza nossa flora, principalmente bromélias e orquídeas.
     Os irmãos Demonte, Etiene, Rosália e Ivonne, que nos últimos trinta anos ilustraram diversos trabalhos sobre aves, mamíferos e insetos, além de desenhar várias espécies de beija-flores para os livros de Augusto Ruschi.
     Frederico Lencioni, Jenevora Searight, Eduardo Brettas, Tomas Sigrist e muitos outros continuam perpetuando, em seus trabalhos, os ideais de que arte e ciência caminham juntos na divulgação e preservação de nossa ameaçada natureza.

Bibliografia Consultada:

Sick, H
(1984) Ornitologia brasileira: uma introdução. Brasília: Ed. Universidade de Brasília.
Copyright 2009 - Eduardo Parentoni Brettas e Directa Net
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